Quem, com 30 anos ou mais, não se recorda do Cyborg, o homem de 6 milhões de dólares?
O título deste tópico me faz lembrar do seriado americano que foi exibido em algum momento da década de 70, ou seria 80? Era eu um pequeno fã do programa. O ator Steve Austin vivia o Coronel Lee Majors, um piloto de aeronave, jato, carro ou algo do gênero e que devido a um acidente perde as pernas, um dos braços e uma das vistas. Após o acidente, numa espécie de CIA, Lee Majors tem suas partes reimplantadas ao custo financeiro do slogan da série…sensacional! Assim, o personagem passa a pontuar como um agente com visão telescópica e força descomunal.
Toda essa introdução acima pra dizer que nossa querida São Paulo, atingirá muito em breve a incrível soma de 7.ooo.ooo de carros! A cidade de 7 milhões de carros.
Nossa, como será viver aqui com todas essa máquinas movidas a álcool, gasolina e diesel ao redor? Será assim, digamos, tal qual é atualmente: uma cidade que bate os recordes de congestionamento a cada véspera de feriado; onde os motoristas passam uma boa parte das horas do seu dia útil no interior de seus carros, em sua maioria mal humorados e desrespeitosos, muitas vezes parados ou, na melhor das hipóteses, andando a uma média patética de 20 a 30 km/h; uma cidade cujos índices de acidentes aumentam numa progressão assustadora e calamitosa; onde há muitos mortos e feridos em decorrência dos acidentes de trânsito e da falta de educação para o trânsito (pois afinal são 7 milhões de carros e eles se amontoam por todos os lados); onde os cidadãos que utilizam o transporte coletivo também sofrem por causa dos outros cidadãos que estão com os milhões de automóveis; onde os nossos queridos prefeito e secretários conseguem obrigar, sem a menor discussão com os usuários, que a partir de um determinado momento que eles julgaram apropriado, todos os veículos automotores devam passar a realizar uma determinada análise “técnica” em suas máquinas e que isso vai custar uma quantia em dinheiro para o cidadão e que sendo assim (e se aprovado!) ele vai poder receber um selo e aí sim finalmente estar apto a promover a licença de uso do seu automóvel e o pior, é que apenas uma única empresa (sim, é aquela que te “controla”) é credenciada pelos senhores prefeito e secretários por realizar essa análise, e que essa empresa também curiosamente, recebe o dinheiro do contribuinte em diversas praças de pedágio ao redor da nossa cidade, e inclusive faz propagandas nos veículos de comunicação de massa para “comunicar” do quanto ela é boa; será viver numa cidade onde a passagem do ônibus municipal, sim, aquele carro sujo, fedorento, lotado e demorado é curiosamente mais cara que a passagem do metropolitano, que não pega trânsito, nem gasta petróleo, mas que sofre do subdimensionamento para atender uma cidade de 10 milhões de habitantes; será como viver com a Companhia de Engenharia(?)* de Tráfego mais atrapalhando do que ajudando com seus indefectíveis pardais, palmtops, sinalizações dúbias e mal formuladas com o único objetivo de punir, multando e autuando qualquer cagadazinha mundana que se faça a cada esquina, quando na verdade deveriam promover as mudanças mais adequadas aos nossos problemas, deveriam oferecer soluções dignas dos nomes que os condecoram.
Segundo a matéria do G1, serão três carros para cada cinco habitantes da cidade nos próximos 60 dias. Em 2010, nossa frota paulista aumentou “apenas” 4% na comparação com o ano anterior, mas nos últimos 13 anos o aumento foi de 45%. Alguém poderia ajudar com o índice de aumento da população economicamente ativa nesse período?
Aposto que você, nobre leitor(a), observou o novo carro do seu vizinho(a), mas qual foi a implementação viária que você, caríssimo(a) motorista, conseguiu visualizar nos últimos 10 anos? Alguma via nova por aí? Não, não venha me falar de túneis e pontes porque estes não valem…túneis e pontes só servem para desafogar os gargalos, não os do trânsito e sim os gargalos das empreiteiras e suas grandes construções sempre mega faturadas. Eu quero saber de um nova rua, uma nova avenida, um novo corredor, enfim, uma alternativa ao que já usamos desde 1980. Ah, vão dizer: mas construíram o Rodoanel e a nova Jacu Pesssego, sim, mas… Jacu quem? Isso não vale, não atende a cidade e sim seus acessos à outras cidades.
Como a 4ª maior cidade do mundo pode permanecer com a mesma estrutura viária se a sua frota aumenta 50% em 10 anos? Aí vem um imbecil de um jornalista retrógado e sem imaginação, tal como o Sr. Luiz Carlos Prates (LCP) e me solta uma pérola da modernidade brasileira como essa que você pode assistir abaixo:
“…é a popularização do automóvel, hoje qualquer miserável tem um carro. O sujeito jamais leu um livro, mora apertado numa gaiola, mas tem um carro…e essa é a palavra: desgraçado”
Mas, meu caro LCP, por que razão o miserável não teve um livro pra ler? O senhor não poderia ajudá-lo a ter este hábito? Por que razão ele mora numa gaiola e o senhor numa bela e confortável casa? Por que razão esse miserável hoje está conduzindo um carro? Será que ele não tem esse direito, afinal somos todos iguais, ou não? O problema não é tão simples assim, meu caro LCP…
Insano, Sr. LCP não é vender carros, insano é assistí-lo.
MRA
* O ponto de interrogação em CET é em homenagem a Bob Sharp, do blog AUTOentusiastas que a partir das burradas desta companhia passa a usar a grafia dessa maneira.

Muito boa sua analogia. Dentro deste contexto cabe também o “boom” imobiliáro desta cidade. Fazem prédios em cada esquina, não há mais vagas nas ruas, carros estacionados nos dois lados da rua formando um trânsito em fila única, trânsito para sair das garagens e por aí vai…E quanto o governo gastou em infraestrutura, energia, saneamento e etc?? Mas tudo isso não importa as empreiteiras compram tudo, Prefeitura, Governo, CET e derrubam quarteirôes inteiros acabando com bairros tradicionais. Até quando isso vai acontecer??
Pois é meu caro irmão, a especulação imobiliária é um assunto muito importante e com relação direta com o trânsito e o transporte…no fundo mesmo eu acredito que o ser humano passa por uma crise de consumo…ele quer tudo mas não sabe exatamente o por que! O consumidor moderno é essa besta humana criada pelo sistema de vida inútil que nos assola. Está na hora de parar de perder tempo com coisas tolas e inúteis para começar a investir em felicidade, autenticidade e originalidade. Aquele cliente do Camaro, o Sr. Wadir disse assim: “São Paulo não era assim, essa cidade, com o passar do tempo foi ficando fria, sisuda…”aí eu disse: ficou careta né, e ele disse: “isso mesmo, ficou careta!”